Cósmico leitor,
Quando alguém começa a escrever, quase nunca o problema é falta de talento. O que mais atrapalha, na maioria das vezes, são expectativas irreais e aquela ideia distorcida do que a escrita deveria ser logo no começo.
Escrever é uma prática. Então, como toda prática, ela vem acompanhada de erros. Mas não erros como falhas, só como parte do caminho. O problema não é errar. O problema é acreditar que esses erros significam que você “não leva jeito”.
Hoje trouxe alguns dos erros mais comuns de quem está começando a escrever. Se você se reconhecer em algum deles, não leia como julgamento. Leia como reconhecimento e uma possibilidade de se aperfeiçoar cada vez mais.

Imagem ilustrativa gerada com IA para fins visuais.
1. A bendita da Inspiração
Um dos maiores mitos da escrita é o de que ela começa com inspiração. Só que na prática, quase sempre acontece o contrário. A inspiração aparece depois que você começa.
Esperar o dia ideal e aquele humor certo, que vem de brinde com a ideia perfeita, costuma adiar indefinidamente o ato de escrever. A escrita acontece no contato, não na expectativa.
Escrever mesmo sem vontade não significa escrever mal. Significa escrever apesar do ruícdo, e isso constrói constância.
2. Comparação: “Será que fulano escreve melhor?”
Esse erro é silencioso, mas muito cruel.
Você olha para textos publicados, escritores experientes com seus livros prontos… e compara com algo que ainda está nascendo. Essa comparação é injusta porque ignora o processo invisível dos nossos maravilhosos rascunhos e os anos de tentativa.
Todo escritor que você admira já escreveu textos que nunca mostrou para ninguém.
Comparação excessiva não melhora a escrita. Ela paralisa.
3. Acreditar que escrever bem é escrever sem esforço
Escrever exige lapidação. Reescrita. Tentativa. Ajuste.
Quando alguém acredita que o texto bom nasce pronto, qualquer dificuldade vira sinal de fracasso. Mas dificuldade não é sinal de incapacidade, é sinal de envolvimento.
Escrever dá trabalho porque pensar dá trabalho. Organizar sentimentos e ideias em palavras dá trabalho. E isso é parte do ofício.
4. Querer encontrar a própria voz antes de escrever
A voz não vem antes da escrita. Ela nasce dela.
Muitos iniciantes travam porque acreditam que ainda “não sabem quem são como escritores”. Mas ninguém descobre a própria voz sem escrever muito e errar muito. É dai que começamos a tentar mais coisas e nos identificar, criando finalmente nossa voz.
A voz surge da repetição, não da espera.
5. Abandonar textos no meio por achar que “não estão bons”
Esse é um erro muito comum, e muito compreensível.
O olhar crítico costuma chegar antes da habilidade técnica. Você percebe que algo não está funcionando, mas ainda não sabe como resolver. E então abandona.
Finalizar textos, mesmo imperfeitos, ensina mais do que recomeçar sempre. É no final que você entende o caminho que estava tentando construir desde o início.
6. Revisar enquanto escreve
Escrever e revisar são movimentos diferentes.
Quando você tenta fazer os dois ao mesmo tempo, ativa um tipo de autocensura que trava o fluxo. No começo, o texto precisa existir antes de ser bom.
Revisar é um segundo momento.
Se permita escrever.
7. Transformar a escrita em prova de valor pessoal
Talvez esse seja o erro mais delicado.
Quando cada texto vira um teste de autoestima, escrever passa a doer. Um texto ruim parece dizer algo sobre quem você é, e não apenas sobre onde você está no processo.
Mas saiba que a escrita não mede o seu valor. Ela é uma ferramenta de expressão e aprendizado, não um julgamento.
8. Achar que escrever pouco “não conta”
Conta. E muito.
Escrever pouco, mas com frequência, constrói intimidade com a linguagem. Como sempre digo, bastam dez minutos, um parágrafo, algumas linhas… tudo isso mantém o vínculo vivo.
A escrita se constrói mais pela constância do que pela intensidade.
9. Desistir ao primeiro bloqueio
Bloqueios não significam que você não sabe escrever. Significam que algo precisa ser ajustado, seja a expectativa, o ritmo, o formato, o momento…
Leve isso como um sinal, não um fim.
10. Acreditar que errar é sinal de que não é para você
Errar é sinal de que você está tentando.
Todo processo criativo passa por fases confusas, textos fracos com ideias que não funcionam. Isso não exclui ninguém da escrita. Pelo contrário, inclui.
Se você se reconheceu em alguns desses erros, a boa notícia é simples. Todos eles são trabalháveis. Melhorar não exige uma virada radical, mas pequenos ajustes de prática e olhar. Reduzir expectativas, escrever com mais constância do que intensidade, separar escrita de revisão, permitir textos imperfeitos e escolher formatos mais acessíveis já muda muito o processo. Aqui no blog, outros textos aprofundam justamente esses pontos, desde como tirar o peso do começo, criar micro-metas possíveis, encontrar sua porta de entrada na escrita e construir um ritual simples que sustente o hábito. A escrita melhora quando você entende que ela não pede perfeição, pede continuidade.
Desfecho cósmico
A Deusa da Terra diz, em voz baixa:
“Errar é tocar o chão da escrita.”
O Deus do Universo responde:
“E insistir é aprender a caminhar no escuro.”
Escrever não é evitar erros.
É atravessá-los com presença.

Imagem ilustrativa gerada com IA para fins visuais.
E você, cósmico leitor?
Qual desses erros já te visitou, ou ainda visita, na sua escrita?
Veja também:


Deixe um comentário