Livro: Outros Jeitos de Usar a Boca
Autor: Rupi Kaur

Como já comentamos… Há livros que sussurram e outros que gritam.
Outros Jeitos de Usar a Boca faz algo diferente. Ele só sangra em silêncio.

Rupi Kaur escreve como quem abre feridas sem pedir licença, e acredito que por isso esse livro tenha dividido tantos leitores.
Aqui, os poemas não buscam metáforas complexas nem construções rebuscadas.
Eles existem para dizer o que muitas vezes não sabemos nomear.

O livro percorre temas como abuso, amor, perda, feminilidade, identidade e cura.
Mas não faz isso com delicadeza estética no sentido clássico.
Faz com urgência.

Cada poema parece um fragmento de confissão.
Curto, direto, às vezes desconfortável.
E é nisso aí que mora sua força.

O que mais me tocou?

A honestidade brutal.

Não existe a tentativa de agradar o leitor.
É sem suavização na dor. Só o que existe é um corpo que fala, e fala porque precisa.

Esse livro me tocou porque ele não tenta ser bonito o tempo todo.
Ele tenta ser verdadeiro.
E, para mim, isso é mais raro.

Alguns poemas doem mais do que outros.
Alguns parecem simples demais à primeira vista, mas ecoam depois.
Eles ficam.
Porque falam de experiências que muitas pessoas vivem, mas poucas verbalizam.

Também senti, em alguns momentos, que a repetição é parte da proposta…
No caso, a dor não é linear, a cura não é limpa, o amor não é organizado.
E a escrita reflete isso.

Pontos Altos:

  • Escrita direta e acessível
  • Temas profundos tratados sem filtros
  • Leitura rápida, mas emocionalmente intensa
  • Poemas que geram identificação imediata

Pontos de Atenção:

  • Pode parecer simples demais para quem espera poesia tradicional
  • Alguns temas se repetem bastante
  • Nem todos os poemas têm o mesmo impacto

 

No fim, Outros Jeitos de Usar a Boca não é um livro para ser analisado apenas pela técnica.
É um livro para ser sentido.
Ele não tenta curar, porque ele reconhece a dor.
E acredito que nesse caso, isso já é cuidado suficiente.

 

Nota final:

(3,5 de 5 estrelas)

Para quem busca poesia honesta, crua e emocionalmente verdadeira.

Categorias:

Diário Estelar

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