Cósmico leitor,
Muita gente acredita que poesia nasce pronta, como se fosse um sopro de inspiração súbita, quase mística. Mas, na prática, o poema nasce do gesto. Vem de muito contato com a palavra, da tentativa, do erro e do ajuste.
Escrever um poema não é esperar que ele apareça inteiro, mas construí-lo aos poucos, como quem escuta algo ainda indefinido e tenta dar forma.
Este não é um guia para “escrever bonito”.
É um caminho possível para escrever com verdade.

Imagem ilustrativa gerada com IA para fins visuais.
1 – Comece pelo que pulsa
Antes de pensar em rima, métrica ou estética, pergunte “o que está insistindo em existir dentro de mim agora?”
Um poema quase sempre começa com:
- uma imagem que não vai embora
- uma sensação sem nome
- uma frase solta
- um incômodo
- uma memória breve
Não tente organizar isso ainda. Só anote do jeito que vier. O poema nasce do impulso, não da ordem.
Dica da Juh: escreva de 3 a 5 linhas livres, sem se preocupar se isso “é poesia” ou não.
2 – Transforme sentimento em imagem
Poesia não explica, mas mostra.
Em vez de escrever:
“Eu estava triste.”
Pergunte:
- O que o corpo fazia nessa tristeza?
- Onde ela se manifestava?
- Como o mundo parecia naquele instante?
- O que eu poderia fazer para tudo isso passar?
Exemplo:
“A casa estava inteira,
mas eu só conseguia habitar o canto da mesa.”
Observe que a imagem cria espaço para o leitor entrar e é nela que o poema começa a respirar.
3 – Escolha um eixo (o que sustenta o poema)
Todo poema precisa de um centro invisível.
Nada de tema explícito, mas uma força que mantém tudo unido.
Pode ser:
- uma pergunta
- uma perda
- um desejo
- uma contradição
- uma imagem recorrente
Pergunte a si:
“Se eu tivesse que resumir esse poema em uma palavra, qual seria?”
Esse eixo ajuda você a decidir:
- o que fica
- o que sai
- o que se repete
4 – Trabalhe o ritmo, mesmo sem rima
Ritmo não é só rima, e sim, respiração.
Leia o poema em voz alta.
Perceba:
- onde o ar falta
- onde sobra
- onde a frase pede pausa
- onde flui
Dica da Juh: Corte excessos, mesmo gostando deles. Quebre versos desnecessários e sim, antes que se pergunte, deixe espaços, eles são ótimos e ajudam a fluir melhor.
Às vezes, o poema melhora não quando você acrescenta algo, mas quando retira.
5 – Confie no silêncio
Nem tudo precisa ser dito, pois um bom poema respeita o que fica suspenso. É aquele poema que te faz pensar, que fica na sua cabeça o dia inteiro.
Evite:
- explicar o que já está sugerido
- fechar todas as interpretações
- conduzir demais o leitor
Poesia é convite, não instrução.
6 – Revise com delicadeza
Revisar um poema não é consertá-lo à força.
Apenas escute-o
Algumas perguntas úteis:
- Essa palavra é necessária?
- Essa imagem sustenta o eixo do poema?
- Isso soa verdadeiro ou apenas bonito?
- Sinto essas palavras?
Às vezes, o poema pede tempo. Então, feche o arquivo e volte outro dia.
A distância também escreve. E muito!
7 – Finalize, mesmo com dúvida
Não espere sentir que está “perfeito”.
Finalize quando sentir que disse o essencial.
Todo poema carrega alguma imperfeição, e isso não é falha, é humanidade. É o que faz as pessoas se conectarem.
Desfecho Cósmico
A poesia não nasce quando você sabe exatamente o que está fazendo.
Ela nasce quando você escuta o que quer ser dito e aceita conduzir.
A Deusa da Terra lembra:
“Toda poesia começa no corpo, vem do vivido e do que foi sentido.”
O Deus do Universo sussurra:
“Mas só se transforma em poema quando você ousa dar forma ao invisível.”

Imagem ilustrativa gerada com IA para fins visuais.
E você, cósmico leitor?
Você costuma começar um poema pela imagem, pela emoção ou pela palavra?


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