Cósmico leitor,
Existe algo curioso sobre o Holi. Antes das cores e risadas, existe fogo.
O Holi, festival hindu celebrado principalmente na Índia, começa com a tradição do Holika Dahan, que é uma fogueira acesa na noite anterior, simbolizando a vitória do bem sobre o mal, da luz sobre aquilo que tenta sufocá-la.
Eu descobri isso pesquisando sobre o festival. E essa parte me tocou mais do que as cores, porque, na escrita, eu também precisei passar pelo fogo antes de alcançar os pigmentos.
O que eu precisei queimar
Durante muito tempo, eu queria escrever bonito. Fazer frases que soassem profundas e textos que parecessem prontos.
Mas eu não queria queimar nada. Absolutamente nada.
Não queria queimar:
- o medo de julgamento
- a necessidade de aprovação
- a comparação constante
- o apego às primeiras versões
Sem perceber, eu estava tentando jogar pó colorido em cima de algo que ainda precisava ser purificado. O “fogo” me ensinou que a transformação não começa com estética, e sim com desapego.
Na escrita, isso significou aceitar apagar páginas, reescrever parágrafos inteiros… até cortar frases que eu amava, mas que não serviam ao texto. Significou admitir que alguns textos eram, na verdade, só vaidade. Foi dolorido, mas libertador.
Quando as cores finalmente vieram
Depois que comecei a encarar a escrita como um processo de limpeza, algo mudou. As cores apareceram naturalmente. Minhas palavras ficaram mais vivas e minhas ideias mais claras. Eu parei de tentar parecer escritora e comecei a escrever.
Muitas vezes tememos o fogo porque achamos que ele nos deixará de mãos vazias. Mas, na escrita, o fogo só consome o que é superficial. O que resta… A cinza, o resquício, isso é o solo fértil onde as cores realmente conseguem fixar. Sem a queima do ego, a cor é apenas tinta; com ela, a cor se torna identidade.
O que isso pode mudar na sua escrita também
O Holi me ensinou que não existe celebração sem purificação. Se você sente que sua escrita está “pálida”, talvez não falte vocabulário; talvez falte coragem para acender o fósforo.
Talvez você esteja tentando colorir algo que ainda precisa queimar. Ou esteja tentando melhorar o estilo quando o que precisa mudar é a sua relação com o erro. Antes das cores, vem o fogo. Antes da fluidez, vem o corte.
Queimar o que nos trava não é um ato de ódio pelo que escrevemos, mas um ato de amor pelo que podemos escrever. É confiar que, sob as camadas de medo, existe uma voz que não precisa de adornos para ser ouvida.

Imagem gerada com IA para fins ilustrativos
E você, cósmico leitor?
Se você tivesse que jogar algo na fogueira da sua escrita hoje… O que seria?


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