Cósmico leitor,
Nem todo amor sabe a data certa.

Mas ainda que ele chegue atrasado, ele vem.

Esse texto nasceu da vontade de olhar para o Valentine’s Day sem o filtro do romance perfeito. De observar o amor como ele realmente aparece fora do roteiro. Costuma estar longe das promessas grandiosas e muito mais próximo do sofá.

Talvez aqui você não encontre declarações cinematográficas. Mas pode encontrar algo mais raro que é um amor que fica. E acredite, é raro mesmo.

 

Esse é o amor

No dia 14 de fevereiro, o amor acorda mais cedo.
Ele escolhe roupa vermelha sem saber por quê, já acompanhado de bons espirros de perfume, saindo pela cidade fingindo que não está nervoso.

As pessoas, do lado de fora, também entram no jogo fingindo que sabem amar melhor hoje do que ontem. Tem casal ensaiando o melhor ângulo pro Instagram e solteiro jurando, de pé junto, que está “ótimo, obrigada”.

E aí tem você. Que não recebeu um buquê de cinema, mas recebeu uma mensagem torta, escrita às pressas, com erro de digitação e uma honestidade escancarada:

“Chego tarde. Mas chego.”

E isso, curiosamente, pareceu romântico.

E o engraçado é que isso soou mais romântico do que qualquer poema pronto. O amor deste Valentine’s Day não veio com reserva em restaurante caro, não. Ele chegou atrasado, meio cansado, reclamando do trânsito e roubando um pedaço da sua janta enquanto contava como o dia foi longo.
Ele não ajoelhou, e nem sequer prometeu a lua, garantindo um “felizes para sempre” de comercial. Ele só sentou no sofá, riu de uma piada sem graça e ainda ficou ali, em um silêncio que não incomoda.

O amor, hoje, esqueceu completamente o roteiro. Ele apenas se perdeu nas datas, mas se achou no conforto. 

E ai eu te pergunto se no fim das contas, “ficar” não é o gesto mais ousado que alguém pode ter?

Capaz do amor verdadeiro nem saber que hoje é dia 14 de fevereiro. Talvez ele só saiba reconhecer onde é, finalmente, o seu lugar no mundo.

E esse é o amor.

E você, cósmico leitor?
Acha que ficar é uma forma de amar?

Entre versos e universos,
Julia Abreu

Categorias:

Fragmentos Literários

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