Livro: Ensaio Sobre a Cegueira
Autor: José Saramago

Existem livros que confortam.
E existem livros que despertam.
Ensaio Sobre a Cegueira faz a segunda coisa, e isso nem sempre é suave.
Saramago imagina uma cidade atingida por uma cegueira branca, contagiosa, mas o que ele realmente expõe não é a perda da visão, é a perda da ética, da empatia, enfim, a perda do pacto humano.
Quando todos deixam de ver, o que se revela é o que sempre esteve ali.
O livro não fala sobre o caos que surge.
Ele fala sobre o caos que já existia.
A escrita, com frases longas, diálogos sem marcação tradicional, tem um ritmo próprio e exige entrega.
Não é uma leitura fácil, e não deveria ser.
Ela pede muita atenção e paciência.
O que mais me tocou?
A brutalidade silenciosa.
O mais assustador não são os atos extremos, mas a rapidez com que a dignidade se dissolve quando ninguém está olhando.
Saramago mostra como a civilização é frágil, e como a bondade também pode ser.
A mulher do médico, a única que enxerga, carrega um peso imenso… Ver quando ninguém vê.
Ela testemunha o pior e, ainda assim, escolhe cuidar.
Isso, para mim, é o coração do livro.
É impossível não se perguntar:
o que eu faria?
E talvez a pergunta mais incômoda seja:
o que eu já faço sem perceber?
Pontos Altos:
- Crítica social poderosa e atemporal
- Personagens simbólicos e profundamente humanos
- Reflexões duras sobre moral, poder e convivência
- Uma narrativa que provoca desconforto e consciência
Pontos de Atenção:
- Escrita desafiadora para alguns leitores
- Temas pesados e cenas perturbadoras
- Não é um livro para ser lido com pressa
No fim, Ensaio Sobre a Cegueira não é sobre cegos.
É sobre aqueles que veem, e escolhem não enxergar, e vamos e venhamos, estamos rodeados de pessoas assim.
É um livro que dói, mas ilumina. Por isso acredito que seja tão necessário.
Nota final:
(5 de 5 estrelas)
Leitura essencial para quem quer começar o ano com mais consciência e humanidade.


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