Tempo de leitura: 3 minutos

Cósmico leitor, este é o primeiro texto que me mandaram palavras pra eu costurar em uma história, e eu adorei fazer. Vamos fazer sempre. E sem combinar, elas foram parar num lugar que eu não esperava. Uma lembrança que carrego há dias, sobre uma família, uma perda, e um barco esculpido na neve.

Escrevi este texto com as palavras de vocês, mas confesso que ele saiu direto do peito. Porque cada vez mais eu sinto que a gente anda esquecendo do óbvio, de que reconhecer quem amamos não pode esperar o funeral pra acontecer. E se este texto conseguir lembrar nem que seja uma pessoa disso a tempo, já valeu a pena escrever.

 

O valor do presente

Esses dias eu vi na televisão uma reportagem sobre uma família que havia esculpido um barco na neve para homenagear o avô que era da marinha, todavia isso me tocou muito… era uma grande família, muitas crianças e adultos unidos, lembrando e homenageando alguém que partiu, mas trazendo todo aquele sentimento real e carisma que ele tinha. Naquele momento, aquela dor de perda, havia se tornado uma diversão.

E sim, para mim, o mais emocionante foi em como aquela tristeza havia se tornado um momento feliz para todos. Uma das filhas mencionou que aquela ideia fez a família entrar em um clima que já não existia mais, fez com que trouxesse de volta a conexão entre irmãos que havia se perdido. Que louco, né? Precisamos cair para entender que o chão é o limite de tudo e que sempre podemos nos levantar, e até ajudar quem caiu também, a união faz a força e aparentemente, era isso que ela estava querendo passar para quem assistia.

O irmão mais velho, que parecia ser o mais apegado ao pai, também falou “Na noite em que ele se foi, eu sentei na poltrona dele e escutei a música que estava no toca disco que ele tinha, é, ele era bem purista, fiquei aproximadamente 1 hora ouvindo e apreciando como aquela sala cheia de livros era aconchegante. Até peguei o livro que ele estava lendo, ele não o terminou, a marcação estava na metade, mas terminei e espero ter sido um bom leitor para ele e que ele tenha gostado da homenagem que todos fizemos com muito amor, amo você, pai, onde quer que esteja”. Isso me tocou muito, admito. Mas, além disso, me veio outra coisa em mente, por favor, não interprete mal o que vou perguntar, apenas reflita… será que esse reconhecimento existia quando ele estava entre nós, aquele falecido homem era reconhecido mesmo? Havia reciprocidade naquela família antes dele partir?

Pergunto isso, não exatamente por eles, mas para quem estiver lendo, lembrem de estar próximos daqueles que vocês amam, dar um abraço, um beijo, pegar no pé, encher o saco, tudo que conseguirem fazer, sabe por que? Uma homenagem, por mais bonito que seja o ato, nunca trará ninguém de volta, apenas irá reconfortar você por dentro, então ame e se expresse muito, porque no fim de tudo, nós nascemos para morrer.

Imagem ilustrativa gerada com IA para fins visuais.

Ame enquanto ainda dá tempo de ouvir a resposta. Porque no fim de tudo, nós nascemos pra morrer, e a única coisa que realmente escolhemos é o quanto amamos enquanto estivemos aqui.

E você, cósmico leitor, tem esperado o momento errado pra dizer o que sente a alguém?

 

Entre versos e universos,
Julia Abreu

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Fragmentos Literários
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