Cósmico leitor,

Experiências podem nos moldar de uma forma silenciosa, e poderia dizer que até profunda. Entre elas, estão as famosas “desilusões”. São aquelas pequenas ou grandes quebras de expectativa que deixam marcas na nossa pele e na nossa alma. Que podem chegar como tempestades, mas também podem se tornar o solo fértil de onde nascem flores inesperadas. Muitas das minhas nasceram delas, inclusive.

Hoje, quero abrir um espaço íntimo entre nós para falar das minhas próprias desilusões. Não vou expor feridas, mas quero mostrar como a escrita sempre esteve ali, como um abrigo para mim e, muitas vezes, até a minha própria cura.

desilusões

Imagem gerada com IA para fins ilustrativos

Minhas desilusões

Já vivi desilusões de muitos tipos, como as amorosas, que rasgaram cartas e promessas; as de vida, quando caminhos planejados não deram certo; e as internas, quando me decepcionei comigo mesma. Em todas elas, a escrita foi a ponte que me manteve inteira.


Na verdade, eu não escrevia para apagar a dor. Até mesmo porque escrever nos coloca frente a frente com ela. Eu escrevia para conversar com a dor. Anotava em diários sentimentos que nem eu mesma compreendia, rabiscava frases soltas, escrevia cartas que nunca seriam entregues e criava personagens que sentiam aquilo que eu não conseguia admitir em voz alta… De alguma forma, tudo isso transformava os nós da minha vida em linhas. Eu conseguia dar sentido ao que antes parecia caótico.

Com o tempo, percebi que minhas desilusões não eram apenas quedas. Não. Elas eram portais. Portais para toda a minha criatividade, que trouxeram a minha sensibilidade e o olhar mais profundo que hoje carrego na escrita. Cada texto que nasce de uma dor já não é mais sobre a dor em si, mas sobre aquilo que fomos capazes de construir a partir dela.

Tudo isso foi um grande presente que as desilusões trouxeram para mim. Me deram uma nova forma de enxergar o mundo. Porque aquilo que vemos também depende do olhar que escolhemos carregar. Se olharmos tudo apenas pelo julgamento e negatividade, é só isso que encontraremos pelo caminho. Mas, se conseguimos acreditar que existe uma luz no fim do túnel, mesmo caminhando devagar, um passo de cada vez, chegamos à claridade. E, quando chegarmos, perceberemos que existe uma paisagem inteira nos esperando.

As desilusões doem. Eu entendo. Muitas vezes chegam sem aviso e deixam marcas profundas. Mas também nos ensinam e nos oferecem novas perspectivas. Para mim, elas sempre trouxeram matéria-prima para a escrita. Por isso consigo compreender que nem toda dor vem para nos destruir, já que muitas, sem dúvida, vem para nos mostrar caminhos que jamais teríamos encontrado de outra forma. 

“Tudo é questão de perspectiva.” Levo essa frase para a vida e, sempre que posso, aconselho outras pessoas a levá-la também. 

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E já que estamos falando de desilusão, trouxe uma das minhas para você. Ou melhor, trouxe o poema que nasceu dela.

 

Rima de sobrevivência

Cheia de quedas e tropeços,
descobri que rir de mim mesma
é um remédio secreto.

As cartas que nunca chegaram,
com planos que desmoronaram,
viraram piada interna no meu diário.

E com isso que vivi
Não reprimi
só percebi

Que no traço da solidão,
escrevi consolação…
até o tropeço mais duro
rima com superação.

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Reflexão cósmica:

A Deusa da Terra sussurra que cada desilusão é um chamado para enraizar-se em si mesma. Já o Deus do Universo lembra que o caos pode ser matéria-prima para criar novas constelações.
Entre eles, aprendi que as dores não são fim, mas transformação, ou seja, um convite para unir cura e criação em um mesmo gesto.

Convite à escrita:

 

Que tal você também escrever sobre uma desilusão que já viveu? Pode ser em forma de diário, carta que nunca será enviada, ou até mesmo um pequeno poema. Você escolhe. Só deixe que as palavras façam o trabalho de reorganizar aquilo que parece pesado demais para carregar sozinho.

E você, cósmico leitor?
Já transformou alguma desilusão em escrita? 

Categorias:

Diário Estelar

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Cósmica Palavra

Cada palavra escrita é uma estrela que não se apaga.

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