Cósmico leitor,
Há sentimentos que não se desfazem com conselhos. Não porque sejam teimosos, mas porque são profundos demais para desaparecer com frases prontas. Às vezes, o que mais cansa não é o que sentimos, mas a tentativa constante de nos acalmar com palavras que não escutam.

O poema de hoje nasceu desse lugar silencioso onde a preocupação mora…

 

Ondas que não dormem

Dizem “não se preocupe” como se fosse um feitiço,
um passe de mágica que apaga o que sinto,
mas minha mente não tem botão de desligar,
meus pensamentos não conhecem descanso.

Dizem “vai passar”, como se o tempo fosse um rio calmo,
mas dentro de mim, ele é tempestade,
carregando dúvidas que não se afogam,
medos que nadam contra a corrente.

Dizem “tudo acontece por um motivo”,
mas e se eu nunca descobrir qual é?
E se esse nó no peito não for um laço,
mas sim uma corda apertando devagar?

Dizem tanto, mas não me escutam.
A preocupação se aninha em mim como um velho amigo,
sussurrando todas as possibilidades,
todas as quedas, todos os “e se”.

E então, fico aqui, sorrindo para os outros,
como se palavras bastassem para acalmar um oceano.
Mas por dentro, as ondas continuam altas,
e meu barco segue à deriva

Imagem ilustrativa gerada com IA para fins visuais.

E você, cósmico leitor?
Que frase já te disseram tentando ajudar, mas que nunca conseguiu acalmar o que você sentia de verdade?

Entre versos e universos,
Julia Abreu

Categorias:

Fragmentos Literários

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