Cósmico leitor, quantas vezes você já apertou o “soneca” no despertador, pedindo só mais dez minutos, e passou o resto do dia inteiro repetindo esse pedido de formas diferentes? Mais dez minutos pra terminar aquilo. Mais um pouco pra ligar pra quem você ama. Depois eu faço, depois eu falo, depois eu vivo.
Foi dessa sensação que nasceu este texto, escrito a quatro mãos com Bert, do @escrita_sem_pudor. Começamos falando sobre a eterna queixa de nunca ter tempo suficiente, e fomos parar num lugar mais desconfortável de “será que o problema é mesmo a falta de tempo, ou são as escolhas que fazemos com o tempo que já temos?”
A ideia não é dar uma resposta pronta para você. A ideia é que você faça a mesma pergunta que fizemos um para o outro.
O tempo que temos e o que nunca é o bastante
O despertador toca e só quero mais dez minutos. A noite pareceu ter sido muito curta para o sono que eu ainda sentia.
Durante todo o dia é assim: quero mais um pouco de tempo para não ficar com a sensação de que deixei algo passar por entre meus dedos, mesmo sabendo que acabei deixando.
Quero mais tempo para desperdiçar com as mesmas coisas? Ou quero para poder compensar todo o tempo que perdi com o que não me agregou em nada?
Só mais dez minutos…
E quantos minutos desperdicei dentro das vinte e quatro horas que tenho para administrar? Sempre querendo mais tempo, nunca sabendo organizar o que preciso dentro do que tenho.
No fundo, estou responsabilizando o tempo pelas escolhas erradas que fiz com ele. Quanto mais tempo tenho, mais desperdício acontecerá enquanto eu não aprender a usar o que tenho sabendo que ele é escasso e perecível.
E se parar pra pensar bem, é provável que o problema nunca tenha sido o tempo. Sou eu? Tentando esticar minutos que já não voltam, enquanto deixo escapar os que ainda tenho nas mãos.
Quero mais tempo pra quê? Pra rolar mais um pouco a tela, adiar mais uma ligação, guardar pra depois o que era pra ser agora?
Não dá pra reclamar do pouco tempo e ainda assim gastá-lo só com o que não me faz bem. Não dá pra viver brigando com um relógio que nunca vai parar de andar.
O segredo é usar melhor o que já é meu, e não ter mais e mais.
Ligar pra quem eu amo. Dizer “eu te amo” antes que o dia feche as portas. Estar inteiro em cada minuto, porque ele passa rápido, mesmo quando parece que não vai passar nunca.
Só mais dez minutos… ou só os dez minutos que eu já tenho, e escolho, dessa vez, não desperdiçar.
A Deusa da Terra sabe que nenhuma estação pede desculpas por ser curta. A primavera não se alonga porque alguém quis mais tempo com as flores. Ela floresce, e segue.
E o Deus do Universo lembra que o tempo nunca foi o vilão desta história. Ele só segue seu curso, indiferente ao que fazemos ou deixamos de fazer com ele. Quem escolhe, sempre fomos nós.
Deixe de perguntar “quanto tempo eu tenho”, e comece a questionar “o que eu faço com o tempo que já é meu”.
Gratidão ao Bert, por essa parceria incrível, que já rendeu mais de uma reflexão boa.
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