Cósmico leitor,
Antes de escrevermos histórias, talvez já façamos parte de uma.
Uma história antiga, que não começou com palavras, mas com a necessidade de existir, dando forma ao que sentimos e sentido ao que criamos.

O texto de hoje nasce da ideia de que escrever não é apenas um ato criativo, mas um encontro. Um encontro entre o que é concreto e do que ainda não tem forma.

No fundo, toda escrita carrega algo maior do que nós mesmos, como se cada palavra fosse uma tentativa de unir o mundo que vemos com o mundo que sentimos.

 

O amor que escreveu o Universo

Antes dos livros existirem, havia apenas ela e ele.

Ela, a Deusa da Terra, criava montanhas, vales, rios que serpenteavam como pensamentos inacabados. Moldava o mundo com as próprias mãos. Tudo era forma e presença, mas, quando tentava compreender o que havia feito, encontrava apenas o silêncio das coisas. Suas criações eram belas… Mas mudas.

Ele, o Deus do Universo, habitava o infinito das ideias. Dentro dele existiam histórias inteiras, carregadas de sentidos profundos que nunca haviam tocado o mundo. Seus pensamentos eram vastos como o próprio cosmos, mas não podiam ser lidos, muito menos compartilhados. Eram ecos sem corpo.

De um lado, havia matéria sem voz e do outro, ideia sem forma.

E então, eles se encontraram.

Ela olhou para ele como quem reconhece algo que sempre faltou. E, em silêncio, ofereceu o que tinha: páginas. As extensões de si mesma, prontas para receber, sustentar e guardar.

Ele, por sua vez, sorriu como quem finalmente encontra um lugar para existir. E entregou a ela suas palavras que eram leves, mas cheias de sentido.

Foi assim que o primeiro livro nasceu.

Não de tinta ou papel, mas da união entre corpo e essência, cheio de forma e significado. Cada palavra encontrou um lugar para repousar, e cada página finalmente teve algo a dizer.

Desde então, tudo o que existe carrega um pouco desse encontro, pois toda matéria guarda uma história, e toda ideia busca um corpo para viver.

E você, cósmico leitor?
As suas palavras têm nascido mais da forma… ou do que ainda não tem corpo?

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Fragmentos Literários

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