Cósmico leitor, se você chegou até aqui carregando mais do que mostra, saiba que não está sozinho nisso. Tem gente que sorri no elevador e desmorona em silêncio no caminho de casa, tem gente que responde “tô bem” no automático sem nem perceber que mentiu.
Este poema nasceu desse lugar. Ele não promete resposta, porque nem sempre a vida dá uma. Mas promete companhia, no meio da bagunça, no meio da dúvida, no meio de tudo que ainda não fez sentido.
Se você também está no meio de alguma coisa agora, fica.
No meio
A vida raramente quebra de uma vez.
Ela racha aos poucos.
Naquele atraso lá, naquela perda ali,
um dia que começa cansado demais
pra justificar.
A gente aprende a seguir mesmo sem mapa,
a responder “tô bem” com a boca
enquanto o corpo pede pausa.
Aprende a carregar o peso
como quem se acostuma com a mochila
e esquece que dá pra tirar.
Há dias em que tudo parece provisório,
inclusive a esperança.
Dias em que o futuro é só um borrão
e o passado pesa mais do que devia.
Mas no meio,
nesse espaço depois de cair
e antes de levantar,
a gente descobre coisas estranhas…
Dá pra continuar sem entender,
e dá pra existir sem resposta…
A vida não ensina com frases bonitas.
Ela ensina repetindo.
Errando junto.
Insistindo.
E mesmo quando parece que nada mudou,
algo em nós já aprendeu
a ficar.
Imagem ilustrativa gerada com IA para fins visuais.
A vida não ensina com frases bonitas, pois ensina repetindo, errando junto, insistindo. E mesmo quando parece que nada mudou, algo em nós já aprendeu a ficar.
E você, cósmico leitor? Mesmo sem entender, você continua?
Se a resposta for sim, mesmo que baixinho, isso já é mais do que suficiente por hoje.
Entre versos e universos,
Julia Abreu



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