Cósmico leitor, tem dias em que a gente não sabe explicar o que sente, só sabe que sente demais. E foi assim que este poema nasceu, de um monte de sentimentos que não cabiam em conversa, então precisaram virar verso.
Ele fala de solidão e saudade, de tropeços que viraram aprendizado, de dores que o corpo acusa antes mesmo da alma admitir. Mas fala, principalmente, sobre a teimosia de continuar sonhando mesmo depois de tudo isso. Para entender que cicatriz também é lugar de luz.
Não tem receita aqui, nem conclusão fechada. Só um retrato sincero de quem segue se reconstruindo, um verso de cada vez.
Escrevo-me com estrelas
Há dias em que sou só solitude,
e outros em que a saudade me veste inteira,
como uma carta esquecida à beira-mar,
lida mil vezes no silêncio da espera.
Sou sonhadora de nascença,
mas não nasci pronta.
Minha evolução veio com tropeços,
com a resiliência dos que sentem demais
e ainda assim continuam.
Já enfrentei gastrite emocional,
daquelas que o corpo acusa o que a alma cala.
Mas sigo, com a agilidade dos que buscam cura,
e a esperança dos que acreditam em recomeços.
Não sou especialista em sentimentos,
nem diplomata nos rompimentos,
mas entendi que até a indiferença
pode ser um grito disfarçado.
Entre um devaneio e outro,
descobri que o futuro é semente:
precisa de tempo, de água,
e de um pouco de amor para florir.
Nem tudo foi fácil,
a vida já fez escândalo dentro de mim.
Mas a maternidade dos meus próprios afetos
me ensinou a renovação que só vem depois da dor.
E hoje, escrevendo com gratidão,
sei que em cada cicatriz mora uma estrela.
E que todas elas, juntas,
ainda me apontam o caminho.

Imagem gerada com IA para fins ilustrativos
Acredito que a maior lição desse poema é mostrar que a gente não precisa estar inteiro pra continuar. Só precisa estar disposto a florescer de novo, mesmo com a terra ainda um pouco revirada.
Que suas cicatrizes também virem estrela, cósmico leitor. E que elas continuem te apontando o caminho.
Entre versos e universos,
Julia Abreu
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Finalmente – porque fala dos sentimentos que não cabem na fala, os mesmos que viraram verso neste poema.
Um pouco de saudade – porque mostra a saudade morando nos intervalos e nos silêncios, do jeito que ela aparece aqui.
No meio – porque fala de carregar mais do que se mostra, e de seguir se reconstruindo aos poucos.
O Barulho do Recomeço – porque é sobre fechar um ciclo e recomeçar, a mesma teimosia de continuar sonhando.


Adoro sua escrita, ela entusiasma até quem, como eu não tinha o hábito da leitura. Parabéns pelo trabalho de excelência.